sexta-feira, 5 de agosto de 2016

Indagações sobre o tempo


Somos seres imersos na dinâmica temporal e comumente a encaramos com a mesma naturalidade com a qual os peixes vivem nas águas. Não nos estranhamos de que sejamos precedidos por um antes e de que sejamos inelutavelmente lançados a um depois. O tempo nos envolve e conduz, nos proporciona e nos subtrai, nos arrasta lenta e inflexivelmente. Na clássica figura mitológica grega de Chronos, personificação do tempo, encontramos o titã que devorava seus filhos, trata-se do tempo que inalteravelmente nos devora e consome. A sujeição ao tempo é um dos maiores condicionamentos existentes, por isso a eternidade se apresenta como verdadeira antítese deste. O tempo nos brinda e oportuniza e por vezes antes mesmo do desfrute somos por ele sorvidos. O drama temporal é, na verdade, extremamente assustador, e o que se dá conosco é que naturalmente somos anestesiados ao nos resignarmos e suportarmos suas investidas contínuas e inalteráveis. A resignação é o mecanismo psicológico que nos protege. Entretanto, ao nos voltarmos para a realidade temporal identificamos que é fria e terrível, somos provocados a indagar: o que é isso, o tempo? Todos estão condicionados a ele do mesmo modo? Todos têm o mesmo tempo? O que significa dizer ter mais tempo ou menos tempo? O que seria a vida livre do drama temporal? Seria possível? Enfim, entre estas e tantas outras questões que nos acometem somos levados a valorizar a experiência humana do tempo, entendendo a vida humana como a graça de um instante temporal.

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