quarta-feira, 27 de julho de 2016

Livro: CONVITE À FILOSOFIA de Enrico Berti


Os motivos que podem levar as pessoas a se interessar pela filosofia são listados e apresentados por Enrico Berti.
O primeiro é a motivação de tipo existencial "porque se referem ao sentido da existência humana, o que comumente se chama de sentido da vida, ou de toda a realidade. (...) Em algum momento todos se fazem essa pergunta, nos momentos de reflexão, quando se está sozinho, quando não se está distraído por alguma ocupação ou alguma diversão".
O segundo é a motivação de tipo intelectual que envolve as pessoas que "querem compreender bem como é que as coisas são na realidade, o que é o verdadeiro e o que é o falso, que critérios temos para encontrar uma verdade ou para descobrir um erro, o que significa 'verdadeiro' e 'falso'".
O terceiro consiste nas motivações de tipo científico que "dizem respeito a problemas levantados pela própria ciência, ou melhor, pelas ciências, às quais por enquanto a ciência não conseguiu dar uma resposta, mas não se descarta que possa dá-la no futuro. Dada a decisiva importância que a ciência tem para a vida e a sociedade dos nossos dias, pela qual ela se apresenta como a forma de saber seguramente dominante, se não a única, não se pode negar a importância dos problemas por ela suscitados. O discurso naturalmente não pode referir-se à ciência em geral, mas deve referir-se de modo diferenciado às ciências particulares".
O quarto é a motivação de tipo religioso e se referem "à relação entre filosofia e religião ou entre  filosofia e fé. A esse propósito é preciso distinguir, obviamente, a posição dos crentes e a dos não crentes. (...) A fé, por mais firme e intensa que seja, e em alguns casos heroica a ponto de levar até o martírio, não é per se um saber, não podendo dar a mesma certeza que o saber. Nós sabemos com absoluta certeza que dois mais dois são quatro e, portanto, não precisamos da fé para nisso acreditar. A fé é adesão do intelecto e da vontade a asserções não evidentes e não demonstráveis sobre uma revelação que se considera divina, portanto permanentemente exposta a dúvida. Não é à toa que a teologia cristã considera a fé uma virtude, a primeira entre as virtudes 'teologais', que requer, portanto, livre escolha, exercício, constância e esforço".
O quinto motivo é de tipo ético e apresenta as questões sobre os valores, os costumes e a moral. Frente as mudanças históricas, a secularização, os progressos tecnológicos, entre outros, a ética se afirmou como indispensável.
O sexto é de tipo político que visa investigar filosoficamente os problemas postos pela prática política buscando "aprofundar a origem e o valor dos temas em que ela se inspira".
O sétimo motivo é de tipo cultural. "Um interesse que qualquer pessoa culta não pode deixar de ter é o de compreender o próprio tempo, a época em que está vivendo, as suas diferenças em relação a outras épocas. Se não se tem uma ideia, mesmo vaga e genérica, do próprio tempo, é difícil orientar-se na vida, nas próprias escolhas, profissionais, sociais, políticas, culturais".

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