quinta-feira, 28 de julho de 2016

Thauma, O Espanto Admirativo

Thauma, termo grego, cujo equivalente na língua latina é admiratio, designa estupor, espanto e admiração, que segundo os pensadores antigos é o princípio da filosofia. Foi por terem sido tomados pelo espírito de admiração que determinados homens decidiram buscar respostas para as suas indagações sobre o inaudito que mesmo no costumeiro se manifestava de um novo modo ante seus olhos. Platão afirma que a capacidade de admirar-se é o que define o filósofo porque é a origem do filosofar. Pois, não há filosofia sem busca, e nem busca sem  desejo e curiosidade. Neste mesmo sentido, Aristóteles, em concordância com seu mestre, nos ensina que  a admiração é o espanto produzido por um fato insólito e que provoca a curiosidade, da qual procede a ciência. O inabitual provoca o espanto e desperta a curiosidade do espectador, desse modo, não há como vislumbrar a possibilidade de construção de conhecimento sem esta experiência. Por isso, Descartes afirma que a admiração é a paixão fundamental da qual provêm todas as paixões. Não há homem e muito menos sujeito cognoscente sem o thauma, sem o espanto admirativo, que é fundamental para a vida humana enquanto vida reflexiva.

quarta-feira, 27 de julho de 2016

O Valor da Reflexão dos Pré-socráticos

“A filosofia grega parece começar com uma ideia absurda, com a proposição: a água é a origem e a matriz de todas as coisas. Será mesmo necessário deter-nos nela e levá-la a sério? Sim, e por três razões: em primeiro lugar, porque essa proposição enuncia algo sobre a origem das coisas, em segundo lugar, porque faz sem imagem e fabulação; e enfim, em terceiro lugar, porque nela, embora apenas em estado de crisálida[1], está contido o pensamento: ‘tudo é um’”.
NIETZSCHE, Friedrich Wilhelm. A filosofia na época trágica dos gregos.

[1] A palavra crisálida faz referência ao estado da lagarta antes de se tornar borboleta, o momento do casulo.

Entrevista a Giovanni Reale no Festival de Filosofia de Modena (2010)

 

O Homem segundo Pascal

"O homem não é senão um caniço, o mais fraco da natureza, mas é um caniço pensante. Não é preciso que o universo inteiro se arme para esmaga-lo; um vapor, uma gota de água basta para mata-lo. Mas, ainda que o universo o esmagasse, o homem seria ainda mais nobre do que aquilo que o mata, pois ele sabe que morre e a vantagem que o universo tem sobre ele. O universo de nada sabe.
Toda nossa dignidade consiste pois no pensamento. É daí que temos de nos elevar, e não do espaço e da duração que não conseguiríamos preencher. Trabalhemos, pois, para pensar bem: eis aí o princípio da moral".
PASCAL. Pensamentos.

Livro: CONVITE À FILOSOFIA de Enrico Berti


Os motivos que podem levar as pessoas a se interessar pela filosofia são listados e apresentados por Enrico Berti.
O primeiro é a motivação de tipo existencial "porque se referem ao sentido da existência humana, o que comumente se chama de sentido da vida, ou de toda a realidade. (...) Em algum momento todos se fazem essa pergunta, nos momentos de reflexão, quando se está sozinho, quando não se está distraído por alguma ocupação ou alguma diversão".
O segundo é a motivação de tipo intelectual que envolve as pessoas que "querem compreender bem como é que as coisas são na realidade, o que é o verdadeiro e o que é o falso, que critérios temos para encontrar uma verdade ou para descobrir um erro, o que significa 'verdadeiro' e 'falso'".
O terceiro consiste nas motivações de tipo científico que "dizem respeito a problemas levantados pela própria ciência, ou melhor, pelas ciências, às quais por enquanto a ciência não conseguiu dar uma resposta, mas não se descarta que possa dá-la no futuro. Dada a decisiva importância que a ciência tem para a vida e a sociedade dos nossos dias, pela qual ela se apresenta como a forma de saber seguramente dominante, se não a única, não se pode negar a importância dos problemas por ela suscitados. O discurso naturalmente não pode referir-se à ciência em geral, mas deve referir-se de modo diferenciado às ciências particulares".
O quarto é a motivação de tipo religioso e se referem "à relação entre filosofia e religião ou entre  filosofia e fé. A esse propósito é preciso distinguir, obviamente, a posição dos crentes e a dos não crentes. (...) A fé, por mais firme e intensa que seja, e em alguns casos heroica a ponto de levar até o martírio, não é per se um saber, não podendo dar a mesma certeza que o saber. Nós sabemos com absoluta certeza que dois mais dois são quatro e, portanto, não precisamos da fé para nisso acreditar. A fé é adesão do intelecto e da vontade a asserções não evidentes e não demonstráveis sobre uma revelação que se considera divina, portanto permanentemente exposta a dúvida. Não é à toa que a teologia cristã considera a fé uma virtude, a primeira entre as virtudes 'teologais', que requer, portanto, livre escolha, exercício, constância e esforço".
O quinto motivo é de tipo ético e apresenta as questões sobre os valores, os costumes e a moral. Frente as mudanças históricas, a secularização, os progressos tecnológicos, entre outros, a ética se afirmou como indispensável.
O sexto é de tipo político que visa investigar filosoficamente os problemas postos pela prática política buscando "aprofundar a origem e o valor dos temas em que ela se inspira".
O sétimo motivo é de tipo cultural. "Um interesse que qualquer pessoa culta não pode deixar de ter é o de compreender o próprio tempo, a época em que está vivendo, as suas diferenças em relação a outras épocas. Se não se tem uma ideia, mesmo vaga e genérica, do próprio tempo, é difícil orientar-se na vida, nas próprias escolhas, profissionais, sociais, políticas, culturais".

terça-feira, 26 de julho de 2016

ÂNGELO GIUSEPPE RONCALLI:Um cristão no trono de São Pedro de 1958 a 1963



"Sem dúvida,  foi a 'pobreza de espírito' que o preservou das 'ansiedades e cansativas perplexidades' e lhe deu a 'força da simplicidade audaciosa'. É ela também que contém a resposta à pergunta sobre como foi que se escolheu o homem mais audaz,  quando o que se queria era um homem dócil e complacente. Ele realizou seu desejo, recomendado pela Imitação de Cristo, um dos seus livros favoritos,  'de ser desconhecido e pouco estimado', palavras que já em 1903 adotou como seu motto". 
HANNAH ARENDT. Homens em Tempos Sombrios.

Filme: HANNAH ARENDT

 
O filme Hanna Arendt (2013) dirigido por Margarethe Von Trotta retrata um pouco da realidade dos tétricos acontecimentos da 2ª Grande Guerra, a questão do Holocausto dos Judeus no julgamento de Eichmann em Jerusalém, enfrentados filosoficamente por Arendt no desenvolvimento de seu pensamento político. Assista ao trailer.